quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Um lugar chamado PAI

Um lugar longínquo onde tudo que foi criado teve a obrigação de ser grande, inesquecível, avassalador e imprevisível. Uma terra dominada por magias desconhecidos, mas poderosas o suficiente para mudar tudo e qualquer coisa. Um lugar dominado por seres constituídos de duas naturezas. Seres distintos e antagônicos que eram ligados pelo mesmo Gorpo. Seres andróginos que por onde passavam despertavam paixão e medo. Estes seres eram dotados de uma natureza dual e possuidores de forças completamente antagônicas. Eram amorosos e de estremo bom gosto, destruidores e possessivos. Ninguém que os amassem poderia suportar viver esse amor, tamanha a violência como ele era demonstrado. Nessa terra distante até o belo e o feio eram ligados por corpos siameses.
Durante muitos anos acreditou-se que a única forma de estabelecer o equilíbrio nesse universo seria através da separação de fato desses corpos sofredores de ambígua natureza. Mas todas as tentativas mostraram que após a separação nenhum sobrevivia sem o outro. Muitos foram sacrificados nas tentativas de uma possibilidade de vida após a separação. Diante do fracasso das inúmeras tentativas, os simples partiram dessa terra abandonando os andróginos a sua própria sorte.  Os simples eram povos comuns iguais a todos os outros que estão espalhados pelo planeta chamado vida.
Os simples eram seres que tinham uma única natureza. Alguns eram bons e outros maus, uns belos e outros feios, uns sábios e outros ignorantes, uns pacificadores e outros guerreadores. Tentavam viver de maneira equilibrada através da política de familiaridade. Eles se agrupavam de acordo com as semelhanças que tinham com os outros de sua espécie. Então, existiam aldeias repletas de feios e outras de belos. Povoados inteiros eram habitados por pacificadores, enquanto outros eram repletos de guerreadores. Entre os simples, enquanto uns crescem outros morrem por conta da política familiar da qual eles escolheram para viver.
Vida é um planeta de um sistema solar desconhecido que vaga errante pelo universo sombrio. Em Vida tudo tem alma. Até as pedras podem sentir e demonstrar alegria e tristeza. Um planeta habitado por formas de vida das quais em lugar nenhum pode ser visto. Um lugar onde até o ar tem vontades e desejos. Em vida até o mar movimenta-se de acordo com seu próprio desejo.
O maior desejo dos andróginos era poder sentir a paz de vivenciar um único sentimento que não fosse antagônico, conflitante. Os andróginos, assim como todos os outros seres eram dominados por uma única lei universal. A lei que proibia qualquer um de mudar sua própria natureza. Assim, todos seriam para sempre da forma que foram criados. Essa era a lei do PAI, esse lugar encantador e terrível.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

UMA LEMBRANÇA DA INFÂNCIA

Domingo, casa dos meus avós paternos, a família estava toda lá.
Minha avó, matriarca da família, conseguia reunir todos em volta da mesa para o almoço familiar.
Depois do almoço todos queriam conversar.
Eu ainda com seis anos preferia ir brincar!
Junto com um amigo, no fundo do quintal da casa nós urinávamos por todo o lugar.
Como não era de estranhar, nós crianças com tudo queríamos brincar,
E por que não explorar o pinto que tava lá.
Chega meu pai furioso a me bater e me retira do lugar.
De volta à sala de estar,
Eu continuava a apanhar.
A surra foi tão grande que cheguei a desmaiar,
E todos a correr,
Pois queriam me socorrer.
Outra vez acordado,
Vi-me logo numa cadeira sentado.
O meu pai ainda irado,
Com seu dedo apontado,
E um sermão todo montado.
Ele começou a dizer...
Eu te bati pra você aprender,
Que com seu pai você tem que parecer,
E isso nunca mais volte a fazer.
Só me pergunto, porque não me disseram antes,
Que meninos brincantes,
Devem manter seus pintos bem distantes.

A CRIANÇA/ADULTO EM MIM

Sou criança verdadeira...
Sou adulto mentiroso...
Na mentira de ser criança verdadeira...
Sou a verdadeira mentira do adulto...
Agora, sem mais verdades e mentiras...
Nem adulto nem criança...
Apenas o ser que se pode ser.

K M

A realidade às vezes me faz sentir em um deserto árido
Castigado pelo sol da indiferença de pessoas que se olham
Mas não se percebem

Cansado, de caminhar sentido nos lábios o ardor do sal
Sou surpreendido pela doçura de teu olhar
Mas tudo não passava de uma miragem

Não era pra mim que olhavas
Diante de teus olhos minha insignificância é como grão de areia

Não me resta mais nada
A não ser te mirar até que o sol me consuma


Estou apaixonado

QUANDO EU CRESCI

Estudando para meu tcc, sobre a relação entre crianças e adultos, descobri que ainda em mim carrego uma criança que espera dos adultos todas as verdades que nunca foram ditas. Eu ainda espero dos adultos um outro comportamento para comigo. Mas quem precisa mudar a forma de se relacionar com esta criança em mim é o adulto que sou. Não posso continuar esperando que os outros mudem sua maneira de se relacionar comigo. Eu vou mudar a forma de me relacionar comigo e vou me tratar da maneira que eu gostaria que os outros me tratassem. Vou ser para mim o que passei todos essas anos esperando que os outros fossem.

DOIS AMORES

Como pode alguém ser tão diferente assim.
Poderia ser diferente se eu fosse igual.
Mas, sendo diferente de todos me tornei igual.
Estou frágil e inseguro, assim como todo apaixonado, amante eu estou temendo o desconhecido.
Apaixonei-me por uma situação.
Como será isso daqui pra frente?
Tenho medo de perder!
Mas quem?
Eu?
Não consigo parar de pensar, penso em cada um deles como se formassem um só.
Nesse momento, enquanto escrevo, me percebo completamente afetado por um sentimento que a anos eu não sentia.
Sinto-me invadido por um sentimento de leveza, bem estar, alegria, conforto, prazer, bem querer, satisfação...
E o medo?
Aos redores de tudo isso!
Como se nada disso pudesse perdurar por muito tempo.
Será verdade?
De quem é essa voz que me atemoriza?
E porque não pode ser assim?
Se o AMOR é algo tão bom e desejado por todos, porque não pode ser distribuído, compartilhado, vivido e experimentado por mais de um ao mesmo tempo.
Será que por amar esse, este e aquele o amor tornasse mais frágil ou ficaria ainda mais forte?
Pois assim ele estaria multiplicado e não apenas somado.
Mais assim eu estaria amando a todos ou a situação?
Nós amamos alguém ou amamos a situação de estar amando?
O que queremos quando amamos?
O que fazemos DO amor que sentimos?
O que fazemos COM o amor que sentimos?
O que fazemos POR aqueles que amamos?
O que fazemos CONOSCO quando estamos amando?
Do com por conosco?!
Mas o que será isso?
Vou viver, e um dia contarei a vocês, quem sabe vocês queiram me ouvir...

DEPRESSÃO

Todas as vezes que me percebi deprimido eu estava demasiadamente preocupado com questões que eram exclusivamente minha. A minha depressão dizia do meu egoísmo, do meu sentimento de exclusividade na vida. Então, para mim É VERDADEIRA a frase: DEPRESSÃO, A FILHA LIGÍTIMA DO EGOISMO.